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28 28UTC Maio 28UTC 2009
Eu escrevo. Escrevo para ganhar dinheiro, escrevo por diversão. Escrevo por culpa, por sofrimento, por terapia. Minha última sessão, aliás, tem me proporcionado algumas dores de cabeça. Um conto, que começou com pouco mais de cinco páginas, e que agora não é nada menos que um livro. E por que as dores de cabeça? Sou perfeccionista. Leio o que já escrevi duas, três vezes por semana… e sempre mudo o que já está no papel. E mesmo o elogio eufórico de alguns não me faz satisfeita. Eu apago, a borracha foi feita para isso mesmo; foi feita para pessoas como eu, gente que não se satisfaz nem com o seu melhor. Gente que precisa rever tudo o que fez e que quer, por algumas poucas vezes, modificar o que um dia já foi proposto. E quando você não tem tempo de pensar e muito menos de apagar, o seu melhor fica escondido. Quer um exemplo? Escrevo roteiros, trabalhos, textos com prazo absurdos. Depois de entregues, eu os leio… e às vezes é como se eu não tivesse escrito nada.
Song to the siren, Cocteau Twins: vale a pena ser ouvida.
Odeio
13 13UTC Maio 13UTC 2009
Odeio estar sem internet, e devo dizer que ficarei offline por um bom tempo. Odeio professor burro, que é fanzinho de disco e não sabe a diferença entre mas e mais. Odeio burocracia típica brasileira e, claro, odeio não poder ofender e gritar com quem me faz ficar numa fila quilométrica de banco para entregar duzentos documento inúteis. Odeio esse sol, esse calor tropical, essa alegria verde amarela. Odeio confusão, odeio indecisão. Odeio quando me fazem repensar decisões. Odeio as formas que usam, as palavras gentis. De fato, odeio mais a mim, por continuar caindo nas aulas do imbecil, nas filas infinitas, no sol assassino e nas armadilhas das doces palavras.
Ao papai, com muito carinho
1 01UTC Maio 01UTC 2009
Eu poderia ter nascido tão inteligente quanto você. Poderia ser a filósofa de mesa de bar que você era (e para mim seria uma honra). Seria feliz se você me deixasse a sua sabedoria e sua responsabilidade.
Não. Você preferiu deixar suas dores de cabeça crônicas, o perfeccionismo e resistibilidade a anestesias. Brigadão, pai. Graças a isso, me lembrei de você ontem. Assim como um leão, quatro tubetes não foram suficientes. Arrancar o ciso e sentir toda a dor nem Mastercard paga.