Dor superior x dor inferior

30 30UTC Julho 30UTC 2009

Se eu corresse por mais 11 anos, conseguiria me esconder? Não quero olhar nos olhos de ninguém para explicar o que há aqui dentro. Acho tão fútil fugir do que me acomete. Doenças da alma são, a meu ver, crônicas. Nenhum medicamento tirar um ser humano de um poço interior, independente da profundidade; seja apenas caindo, arranhando as paredes ou beijando o fundo, não há volta. Não sei mesmo se é comodismo, mas é a forma que seus olhos e coração já encararam o mundo. É irreversível. A ânsia, o medo, o arrependimento, tudo já se alojou em você, nada mais faz tanto sentido assim.

You build, and then it’s destroyed;
You love, and then it’s over;
You live and got a beautiful corpse.
The end makes everything not worth a penny. So, I wish the end was nearer.

Não sei por que cargas d’água é tão errado escolher não ter que olhar para trás. É tentação pecaminosa, escolha dura, talvez mais difícil que preferir continuar. São rostos “laughing in the rain” (me lembrarei mais tarde a quem essa expressão pertence) e não entende o que acontece, o porquê dessa crucificação. Aos poucos que entendem e simpatizam pela causa, conseqüência e escolha, que seja eterna enquanto dure… porque não irá durar por muito. Amo vocês, Sbeguei e Sanders. Autoflagelo faz bem ao corpo e a alma.

Clan of Xymox

13 13UTC Julho 13UTC 2009

Evito, usando extrema força, resumir um post a uma letra de música, mas hoje, só hoje, acho que Xymox traduz o que eu gostaria de colocar aqui. Fica a letra de Waterfront e meu tormento nas entrelinhas.

Leave me alone, get out, out of my face!
Leave me alone, get out, out of this place!
Stop haunting me! Stop haunting me!
Stay in the shade, keep out of my way!
What do you want of me? How low can you be?
Stop haunting me! Stop haunting me!

Just go anywhere the wind blows,
Just go anywhere at all!
Leave me at the waterfront.

Your mouth big as the moon,
You’re like a hole for two.
You know what I mean when I say
Strange beasts live in you.
Stop haunting me! Stop haunting me!

Just go anywhere the wind blows,
Just go anywhere at all!
Leave me at the waterfront.

There’s so much dirt you spread,
How low can you get?
I am so sick of you,
You keep coming back!
Stop haunting me! Stop haunting me!
On the waterfront, on the waterfront.
On the waterfront, on the waterfront.

Dor

10 10UTC Junho 10UTC 2009

Descobri que melhor escrevo quando dói… e quando a dor é companhia única, prefiro não escrever. Não é complexo de se entender, é uma escolha sensata. Escrevo bem porque me perco nas palavras, nos sentimentos, tudo vem com muita sinceridade. É por isso que opto por não escrever: eu devo controlar minhas palavras, nunca ser delas. Me perder e cair nas armadilhas da confusão sentimental é tão bom quanto ruim para qualquer escritor.

Essa é a minha desculpa pela ausência… e pelo texto grande. Grande porque a dor ainda está aqui, e resolvi me castigar rabiscando algo sobre ela. Se é para doer, que venha com força, com razão, de uma vez. Eu pioro a situação da maneira que posso e faço do meu dia um lixo. Em conversa amiga, ouvi certa vez que eu deveria evitar. Se  a tristeza vem, engane-a. Rejeitei o conselho, não sou de enganar meu próprio coração.

Que eu seja direta, que eu sempre abra a jogo comigo mesma. Deixe que meu drama barato seja, parafraseando Vinícius, eterno enquanto dure. De fato, é como uma forca por infinitos minutos. Eu morro e renasço tantas vezes por decepção… Faz mal a alma, ao coração… e eu bebo desse veneno lentamente. É meu jeito peculiar de sofrer, não me negue isso.

De mim a mim mesma, em um momento menos lúcido.